ESPÓLIO FREDERICO DE FREITAS
“Compositor, maestro, pedagogo e musicólogo, Frederico de Freitas, nascido em novembro de 1902, foi uma personalidade marcante na cultura portuguesa do séc. XX. Com um enfoque particular na composição, a sua carreira caracterizou-se pela abrangência e ecletismo e pela associação a géneros diversificados da música erudita à criação para a indústria fonográfica, cinema, teatro e dança”. (Helena Marinho, 2018)
Frederico de Freitas foi também chefe de orquestra, articulista e crítico musical e no seu percurso profissional destacam-se vários cargos, entre os quais o de fundador da Sociedade Coral de Lisboa, professor no Centro de Estudos Gregorianos de Lisboa, crítico musical no jornal “Novidades”, diretor musical na Companhia de Bailados “Verde-Gaio”, maestro na Orquestra de Câmara e Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional e Orquestra Sinfónica do Conservatório de Música do Porto e sócio fundador (mais tarde Presidente da Assembleia Geral) da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses.
Como artista multifacetado abordou praticamente todos os géneros musicais desde a música religiosa e de ópera ao teatro ligeiro e música de filmes e da música de Câmara concertante à canção para canto e piano. Do seu vasto trabalho podemos destacar “As Sete Palavras de Nossa Senhora”, “A Severa”, “Quinteto de Sopros”, “D. João e as Sombras”, “O Livro de Maria Frederica” e “Concerto para flauta e orquestra” (estes últimos dedicados aos seus netos, Maria Frederica e Rafael), mas há ainda muitos outros que aqui poderiam ser citados.
O trabalho e desempenho de Frederico de Freitas foram reconhecidos através de vários prémios, nomeadamente o Prémio Nacional de Composição (1926), Prémio de Composição Domingos Bontempo (1942), Prémio Nacional de Composição Carlos Seixas (1963 e 1971) e o 1º e 3º Prémio da Grande Marcha de Lisboa (1979).
Faleceu em 1980.
Em 2010, os Serviços de Biblioteca, Informação Documental e Museologia (SBIDM) receberam o seu espólio que foi doado à Universidade de Aveiro pela filha, a maestrina e compositora Elvira de Freitas. Este importante espólio veio representar uma grande oportunidade para o desenvolvimento e investigação académica na área da música, para docentes e investigadores desta Universidade, assim como para investigadores e especialistas de outras instituições.
Integra este espólio um vasto conjunto de partituras (do compositor e de outros compositores, entre editadas e não editadas, inéditos, destacando-se entre estes algumas partituras da compositora portuguesa Berta Alves de Sousa, que se pensava estarem desaparecidas). Dele fazem ainda parte um conjunto de mais de 3000 documentos de correspondência pessoal e profissional; recortes de imprensa nacional e estrangeira; fotografias pessoais e profissionais; revistas nacionais e estrangeiras (com artigos sobre o compositor e a sua música, artigos escritos pelo compositor e, de salientar, alguns artigos escritos pela própria esposa do compositor, Consuelo Varona); programas de eventos musicais; notas pessoais e textos manuscritos (planos de organização de concertos, rascunhos de correspondência profissional, rascunhos de conferências e outros) e um conjunto de cerca de 150 discos de goma-laca de música de sua autoria e de outros autores.
A importância deste património levou a Fundação Calouste Gulbenkian a conceder um financiamento à Universidade de Aveiro (UA) para o desenvolvimento de um projeto que incluiu a organização, tratamento, cuidados de preservação e disponibilização da coleção ao público.